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Privatização fracassa e Fafen-PR continua sendo da Petrobrás

Fechada desde março de 2020, a Fafen-PR (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobrás no Paraná), em Araucária, que estava no plano de desinvestimento da petroleira, continuará sob o comando da companhia.

A Petrobrás anunciou na segunda-feira (19/12) que encerrou as negociações com a empresa norueguesa Yara para venda da Fafen-PR. Com a decisão, a privatização ou não da fábrica dependerá de decisão de gestores da estatal que serão indicados pelo presidente-eleito, Lula (PT), que já afirmou ser contra a venda de ativos da Petrobrás.

Até entrar nos planos de privatização da equipe indicada por Jair Bolsonaro (PL), a Fafen-PR era responsável pela produção de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia e de 65% do ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas.

O Brasil é o quarto maior produtor de grãos do mundo e o segundo maior exportador. Essa produção exige a utilização de fertilizantes e hoje 85% desses produtos são comprados no mercado internacional, sendo a Rússia um dos maiores fornecedores do insumo para o agronegócio brasileiro.

A culpa pela dependência do Brasil à Rússia, justamente durante o período que o país entrou em guerra contra a Ucrânia, é de Bolsonaro e do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) que, juntos, fecharam três fábricas de fertilizantes, uma na Bahia, outra em Sergipe e a do Paraná, sob greve e protestos de trabalhadores e trabalhadoras, liderados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros) e do Sindpetro (Sindicato de Petroleiros) se todo o País.

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O encerramento do processo de privatização da Fafen-PR foi comemorado por todos que lutaram contra a privatização e fizeram alertas sobre os riscos que isso representava para o Brasil.

“Dependemos da importação de fertilizantes que antes a Petrobrás produzia em Sergipe, Bahia e Paraná, da mesma forma que a privatização e subutilização de nossas refinarias vêm tornando o Brasil dependente da importação de derivados do petróleo”, afirmou Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.

Bacelar observou que o consumidor e o mercado interno perceberam que privatizar setores estratégicos do Estado tem impacto direto na soberania nacional. “Perdemos ativos importantes no governo Bolsonaro, agora precisamos reconstruir o que foi destruído nos últimos anos”, disse o dirigente.

Gerson Castellano, petroquímico e diretor de relações internacionais da Federação, lembra que a FUP, desde 2015, fala sobre o risco de o Brasil ficar na dependência externa. “A Petrobrás arrendou a Fafen da Bahia e do Sergipe para a Unigel, que vem priorizando exportações de amônia para produzir ureia no país. A produção de fertilizantes é estratégica. Comer é algo que independe de crenças. Quando falamos de agricultura, estamos falando de uma questão de segurança nacional. A questão alimentar extrapola ideologias”.

A saída definitiva da Petrobrás do setor de fertilizantes foi anunciada pelo governo Bolsonaro em 2019. Nos últimos anos, o Brasil aumentou sua dependência de importação para suprir o mercado doméstico, enquanto suas unidades de fertilizantes permanecem desativadas. Segundo dados da balança comercial brasileira, da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), analisados pela área econômica da FUP, no ano de 2021, o País gastou US$ 15,2 bilhões em importações de adubos e fertilizantes químicos. O valor é 90% maior do que o gasto em 2020. Foi o produto mais importado entre os itens da categoria “indústria de transformação”. O País adquiriu no exterior 41,5 milhões de toneladas de fertilizantes – incremento de 22% nas quantidades –, a preço médio de US$ 364,34 por tonelada, 56% acima dos valores pagos em 2020.

A Fafen-BA – cujos principais produtos são amônia, uréia, gás carbônico e Arla 32 –, foi hibernada em 2018 e arrendada à Proquigel, subsidiária da Unigel, em 2020, assim como a Fafen-SE, produtora de ureia fertilizante, ureia para uso industrial, amônia, gás carbônico e sulfato de amônio (também usado como fertilizante).

Por FUP, com edição de Marize Muniz/CUT Nacional

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