antecipasse o pagamento de seus dividendos para ter dinheiro suficiente para pagar os novos auxílios a caminhoneiros, taxistas, o vale gás e o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, até o final do ano. 

A previsão do lucro bilionário é do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que aponta lucro líquido da Petrobras entre R$ 44,2 bilhões e R$ 60,4 bilhões no segundo trimestre. Os cálculos indicam salto de até 40% na comparação com igual período de 2021 (de R$ 43 bilhões). Assim, a estatal deve pagar entre R$ 47 bilhões e 58 R$ bilhões de dividendos aos acionistas. A Petrobras irá divulgar seus resultados do período nesta quinta-feira (28).

Mais uma vez, o principal fator para esse “superlucro”, de acordo com o Ineep, é o preço dos combustíveis cobrado do consumidor e das empresas no Brasil, a partir da cotação do dólar, mesmo com o petróleo sendo extraído no Brasil e a mão de obra ser paga em reais. Desde 2016, a Petrobras adota a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que repassa as variações do petróleo no mercado internacional diretamente ao consumidor brasileiro. Além disso, o PPI também considera custos de logística para importação que são inexistentes.

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Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o preço médio dos derivados teve alta de 55%. Com o país saindo do período mais agudo da pandemia, as vendas no mercado interno cresceram 60% em valor total – apesar da queda de 2,4% no volume comercializado – representando cerca de 74% dos lucros totais da companhia.

“Em resumo, provavelmente veremos a história se repetir em mais um trimestre de grandes lucros para a Petrobras. E de enormes pagamentos de dividendos para os acionistas, em prejuízo do consumidor”, diz o Ineep, em nota.

Preços dos combustíveis

Neste mês, a gasolina registrou queda de -5,01%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), puxado pela aprovação do teto para o ICMS sobre combustíveis. Essa redução, portanto, em nada tem a ver com os preços praticados pela Petrobras.

Já o diesel não sofreu redução de preços. Pelo contrário, teve alta de 7,32%. Isso porque, em média, as alíquotas do ICMS já estavam abaixo do teto fixado por lei.

Papel das refinarias

O Ineep alerta ainda que as vendas das refinarias ampliam a vulnerabilidade da estatal frente à oscilação dos preços internacionais, apesar da venda da Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, ter permitido o aumento da participação da Petrobras na venda de petróleo para o mercado interno.  As receitas com a venda de petróleo bruto dentro do território nacional devem chegar a R$ 12,9 bilhões.

Já a venda de petróleo e derivados para o mercado externo caiu 21,7% em volume exportado. Essa queda está relacionada, em parte, com a redução 5% na produção de petróleo de 5%, que caiu de 2,76 milhões de barris de óleo equivalente por dia, no segundo trimestre do ano passado, para 2,65 milhões de barris atualmente.

No entanto, mesmo com essa queda significativa nos volumes exportados, o Ineep estima crescimento de 19% nas receitas de vendas para o mercado externo, em virtude do aumento de 65% do preço do petróleo no período.

Venda de ativos

Os R$ 16,2 bilhões de diferença no lucro líquido, segundo as estimativas do Ineep, vêm da venda de ativos da Petrobras. Assim, caso essas receitas não constem no balanço do segundo trimestre, devem aparecem no próximo. São recursos oriundos, por exemplo, da última parcela da venda de 90% das ações da Petrobras na NTS (Nova Transportadora do Sudeste). Incluem também compensações pagas por petrolíferas privadas – Total, Petronas, Shell e QP Brasil – pela venda de campos do pré-sal. Além do recebimento pela venda de campos de campos terrestres, na Bahia, e outro campo em águas profundas na Bacia Potiguar (RN).

Por Tiago Pereira/RBA, com edição de Rosely Rocha/CUT Nacional

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