CUT vai no sentido de ampliar as candidaturas (“Consigo ver uma boa mobilização nesse sentido”), não só do movimento sindical, mas de outras organizações sociais. Por exemplo, população negra, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares, todos estão sub-representados no parlamento brasileiro. Mulheres são maioria da população, mas são apenas 15% da Câmara. Pretos e pardos (classificação do IBGE) também representam mais da metade dos brasileiros, mas não chegam a 25%. “Isso é uma vergonha: jovem não tem no Congresso. Negros e negras, é muito pequena a representação. Nós não estamos representados”, lamenta Carmen, apontando o peso do poder econômico no processo político-eleitoral.

Fortalecer a bancada pode facilitar, por exemplo, a discussão em torno de uma nova legislação trabalhista. Há um movimento pela revogação da Lei 13.467, a “reforma” aprovada em 2017. Carmen acredita no caminho da negociação. “Eu não creio que haverá um decreto que muda tudo. Mas acho que é possível agrupar questões em cima de pontos que são nevrálgicos. Cláusulas pétreas, que não dá para abrir mão. É preciso garantir o fortalecimento da negociação coletiva”, afirma. 

Assim, uma possível presença de Lula na Presidência da República é imprescindível, mas é preciso assegurar uma base parlamentar para que os projetos caminhem. Ainda mais, lembra Carmen, em um país “destruído” como o Brasil atual. “O trabalho precisa estar no centro dessa discussão”.

Por Vitor Nuzzi/Rede Brasil Atual

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