Salário-maternidade e Auxílio-doença.

Isso levou o movimento sindical a colocar o ‘bloco na rua’ e realizar o Dia de Luta contra o Desmonte do INSS, que começou às 9h00, com concentração na agência da Rua Cel. Xavier de Toledo, no Anhangabaú, e seguiu pelo centro velho de São Paulo até o Viaduto Santa Ifigênia, onde fica a Superintendência do INSS.

Desde o início, o protesto foi ganhando o apoio de populares que passavam pelo local e entendiam a gravidade da situação enfrentada pelos segurados do órgão. Entenderam também que o caos é consequência da política de desmonte do Estado do governo de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, o banqueiro e ministro da Economia, pasta à qual está subordinada a Previdência. 

“Ô Paulo Guedes, preste atenção. O servidor não é parasita, não!” O grito de guerra da militância foi ouvido durante todo o trajeto, alternado com outros temas levados às ruas para conscientizar a população, como a solidariedade aos petroleiros, em greve desde o dia 1° de fevereiro, e as falas de Guedes como a mais recente, contra as empregadas domésticas. Guedes disse que é bom o dólar está alto porque tinha doméstica viajando demais para a Disney.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, considerou o ato vitorioso por ter sido possível dialogar com trabalhadores e trabalhadoras que apoiaram o protesto. “O povo sabe que sai prejudicado com o desmonte do INSS. Eles estão ganhando consciência da gravidade da situação do Brasil e do tipo de gente que governa o País”, disse o dirigente, ressaltando que “temos um presidente que não tem a menor competência para exercer o cargo, um ministro da Economia entreguista que destrói o Estado, um ministro da Educação que é ignorante e não tem educação. Por isso não vamos permitir que nosso País fique na mão desse povo”.

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), concorda com o presidente da CUT ao afirmar que o protesto cumpriu seu papel de denunciar o desmonte do INSS. “Manifestação é fundamental, sobretudo quando se vê os indicadores que mostram um total desastre do sistema de seguridade social e previdenciário após ter entrado em vigor a reforma da Previdência”, apontou o dirigente.

O Adilson ainda considera lamentável que o governo Bolsonaro “militarize” o INSS, chamando oficiais da reserva para cobrir a falta de servidores. “Isso demonstra que o governo nada mais é do que um grupo de milicianos que tomou o Brasil de assalto”, afirmou.

Para o Secretário-Geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, “o movimento sindical começa o ano de 2020 com garra e determinação na luta contra o governo Bolsonaro”.

O dirigente acredita que é fundamental expressar o descontentamento com a política da dupla Bolsonaro/Guedes que, por destruir tudo o que é público, traz problemas para os mais pobres. “Se diminui o Estado, diminui o atendimento em saúde, educação, moradia, aposentadoria, e quem sofre com isso, claro, são os mais pobres”.

Edson Carneiro Índio, da Intersindical, considera “um escândalo” o desmonte do Estado. “Vemos agências fechadas, poucos funcionários e, com a reforma da Previdência, houve uma corrida de quem já podia se aposentar para garantir o direito ao benefício”. Por isso, ele diz, a fila do INSS já ultrapassa dois milhões de pedidos aguardando análise e “são brasileiros idosos, pessoas doentes e mães têm dificuldade em receber o Auxílio maternidade.

Segundo ele, a população brasileira enfrenta outros “graves problemas”, como as filas para receber o Bolsa-família, o governo tentando aprovar MP (Medida Provisória) 905, da Carteira Verde e Amarela, que permite contratações sem direitos e que beneficiam patrões. “Ou seja, um conjunto de medidas que fazem o povo brasileiro ter que se mobilizar para derrotar esse projeto de governo que só interessa às elites e ao sistema financeiro”, completou Índio.

Jornadas cruéis

São dois milhões de benefícios na fila de espera do INSS, onde os servidores trabalham por produtividade, têm de cumprir metas impostas pelos gestores e, por isso, acabam trabalhando até 15 horas por dia. “É desumano o que acontece”, diz Vilma Ramos, diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo.

Além de adoecer por causa da jornada excessiva de trabalho, ela conta que o atendimento ao público, no caso do INSS, é de “trato com o ser humano”. E diante das tragédias cotidianas, os servidores acabam absorvendo ou “vivendo o problema do segurado” e ao não conseguir resolver, acabam sofrendo também. “A carga emocional é muito forte”, relatou.

Mobilização continua

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, também considerou o ato em São Paulo positivo, em especial pelo engajamento dos servidores. “Conseguimos mostrar a capacidade de mobilização não só em São Paulo, mas em várias cidades do interior e da baixada Santista, assim como em diversas cidades do Brasil”, afirmou o dirigente.

Ele também convocou os servidores a participarem da plenária da categoria, na próxima terça-feira (18/02), às 17h00, para debater a realização de uma greve em 18 de março. A plenária será realizada na sede do Sindicato dos Engenheiros (Rua Genebra, 25 – próximo à Câmara Municipal).

Sérgio Nobre também reforça a mobilização de todas as categorias em 18 de março, no Dia Nacional de Luta em Defesa do Serviço Público, da Educação Pública, Estatais, Emprego e Salário, Soberania, Defesa da Amazônia e Agricultura Familiar.

“É importante que todo trabalhador e trabalhadora deste País, do serviço público e do setor privado, de todas as categorias, venham às ruas porque não podemos entregar nossos direitos e nosso País, que é 8ª economia do mundo, de mão beijada para esses entreguistas”, convocou o presidente da CUT Nacional.

Por André Accarini/CUT Nacional

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