<

Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) somaram lucro líquido de R$ 42,9 bilhões no primeiro semestre de 2019, com crescimento médio de 20,4% em comparação ao mesmo período do ano passado.

A rentabilidade variou entre 17,4%, no Banco do Brasil e 23,6% no Itaú Unibanco. No caso do Santander, a unidade brasileira foi responsável por 29% do resultado global do banco.

Para o diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Clemente Ganz Lúcio, o crescimento do setor financeiro é “totalmente fora de sintonia” com a dinâmica econômica do Brasil. Clemente critica a maneira como a crise é explorada pelos bancos.

“O setor financeiro passou a ser proprietário do sistema produtivo e, com as elevadas taxas de juro, passaram a ter um retorno extremamente elevado. Os mecanismos permitem que os bancos se apropriem da riqueza do País. Na crise economia, os mais ricos acumulam mais riqueza, porque eles têm um poder econômico e político que os diferenciem da sociedade”, afirmou à Rádio Brasil Atual, sobre os resultados de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.

Para ele, o maior lucro trimestral para esses bancos em quatro anos só é bom para os acionistas, já que esse lucro não reflete em menores taxas para os clientes dos bancos. Clemente lembra que, apesar dos resultados, os bancários ainda são vítimas do sistema predatório do setor financeiro.

E os clientes ainda pagam tarifas altíssimas, sem contrapartida em melhores condições de atendimento, sobretudo os de renda menor. “Uma das formas de ter esse resultado é operar com a rentabilidade dos rentistas. Eles pressionam os bancários a vender todos os tipos de serviços, porque os bancos ganham muito com as taxas”, acrescenta.

A verdade é que, como observa um texto publicado no site Reconta Aí, “faça chuva ou faça sol, os bancos não param de lucrar”.

Ativos trilionários

Os ativos somados destes quatro bancos somam R$ 5,4 trilhões, com alta média de 8,7% em relação a junho de 2018. A carteira de crédito total dos três bancos juntos atingiu R$ 2,3 trilhões, com alta de 4,7% no período. Somente a carteira do BB apresentou queda (-0,4%).

No segmento de Pessoa Física, os itens com as maiores altas são empréstimos consignados / crédito pessoal, cartão de crédito e veículos.

Para Pessoa Jurídica, o segmento de micro, pequenas e médias empresas, apresentou variações mais expressivas do que o de grandes empresas.

Com o crescimento das carteiras de crédito dos bancos, as despesas com devedores duvidosos (PDD) tendem a crescer, mas, elas apresentaram queda no Santander (-2,0%) e no BB (-11,6%). No Bradesco, essas despesas tiveram alta em maior proporção do que o crescimento da respectiva carteira (18,5%, enquanto a carteira cresceu 8,7%).

Nas costas dos clientes e dos bancários

Os bancos seguem ganhando com a prestação de serviços e a cobrança de tarifas. No 1º semestre de 2019, um total de R$ 55,8 bilhões saíram dos bolsos dos clientes e foram parar nas contas dos bancos. Em média 5,3% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Essa receita secundária cobre com folga as despesas de pessoal dessas instituições, incluindo-se, nessa conta, o pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR). A cobertura das despesas de pessoal mais PLR por essa receita secundária dos bancos variou entre 115% (no BB) e 198,3% (no Santander – cobrindo quase duas folhas de pagamento). No Itaú, a cobertura foi de 161,0%.

Com relação aos postos de trabalho nos bancos o saldo foi negativo no Itaú e no BB. Nos dois bancos foram fechados 983 e 1.507 postos, respectivamente, em doze meses. No caso do Itaú, o banco aponta que esse saldo negativo se deve ao fechamento de agências no período.

No Santander, foram abertos 904 novos postos de trabalho, enquanto no Bradesco, o saldo foi 1.515 novos postos abertos para atender a ampliação da área de negócios do banco.

Digitalização das agências

Quanto à rede de agências, Santander abriu 40 novas agências em doze meses. No Itaú, por sua vez, foram fechadas 199 agências físicas no mesmo período (195 apenas no segundo trimestre) e abertas 36 agências digitais, as quais já somam 196 unidades. Bradesco e Banco do Brasil fecharam, respectivamente, 119 e 48 unidades, em um ano. O BB já conta com 162 escritórios (agências) digitais, nove deles foram abertos de junho de 2018 a junho de 2019.

As apostas e os investimentos dos bancos seguem no sentido da priorização pelo atendimento digital. Agências digitais, agências-café (com outros espaços e serviços no mesmo ambiente do atendimento bancário – o que traz grandes preocupações quanto à segurança desses ambientes; além da condição de trabalho/saúde desses bancários), aplicativos para smartphones, inteligência artificial, entre outros.

Fonte: Contraf-CUT/Dieese

DEIXE O SEU COMENTÁRIO